Lucca. Uma Toscana plana e plena.
No final da primavera elegemos Firenze como nossa base na Toscana.
Dali, de carro ou de trem, saíamos para explorar as surpresas dessa encantadora região. Um dos destinos era Lucca, há 82 km ou aproximadamente a 1,5 horas de trem de Firenze, partindo da Stazione Centrale Santa Maria Novella.
Optamos pela otimização de recursos (tempo e dinheiro) e fomos de trem (5,30€ o bilhete por pessoa). Uma viagem muito agradável, curta, ótima para observar paisagens e também os nativos das cidades em cada uma das 10 paradas (as paradas variam de acordo com o horário do trem).
Chegamos na pequena estação de Lucca. Simples, como esperávamos, sem aquela quantidade de binários que confundem os turistas menos rodados.
Com poucos passos já estávamos fora da estação e avistando as muralhas imponentes da cidade.
Uma árvore porém, chamava muito a nossa atenção. Sua presença naquele contexto quebrava nossa expectativa e ainda nos transmitia uma idéia de que ela seria a guardiã da muralha e da cidade carina.
Perto da estação está a Porta San Pietro pela qual “entramos” na cidade, no lado sul, junto a Piazza Ricasoli. Hoje, tudo o que há para se ver está no interior da velha muralha renascentista.
Andar de bicicleta, tomar um gelato, ir a uma padaria tradicional, tirar fotos ao lado do carrossel. Programas clássicos que se pode fazer em qualquer grande parque arborizado. Tudo isso é possível fazer dentro da muralha de Lucca. São 4 Km de extensão.

Piazza Napoleone – A praça tem o nome de Napoleão, cuja irmã, Elisa Baciocchi, governou Lucca de 1805 a 1815.
Lucca tem ruas estreitas, em parte exclusivas para pedestres, causando uma impressão de aconchego.
A cidade de Giacomo Puccini (que foi um famoso compositor de algumas das mais belas e populares óperas do mundo, como La Bohéme) pode ser atravesada a pé em poucos minutos, já que diferencialmente de muitas cidades da Toscana que ficam nos topos das colinas, Lucca está em uma planície.
No início do século 19, quando a muralha que envolve a cidade perdeu sua característica militar, ela foi transformada em um charmoso passeio público, como um calçadão, repleto de árvores, permitindo ao turista ter belas vistas da cidade.
Lucca é banhada ao norte por um dos mais importantes rios da Toscana vindo logo atrás do Arno e do Ombrone. O rio Serchio, com seus 111 km de extensão (ou 126 km segundo algumas fontes), na antiguidade, chamava-se Auser. Nasce no Monte Silano e desemboca no Mar da Ligúria.
Para o Brasil, o Vale do Serchio tem uma recente lembrança. Em 1944, foi enviada uma expedição (Força Expedicionária Brasileira – FEB), das forças armadas, para combater junto aos aliados. Um grupo de cerca de 25 mil homens foram enviados para o combate. Foi nessa época que o termo “a cobra está fumando” surgiu, pois diziam naquele tempo que era mais fácil uma cobra fumar do que Brasil participar e posicionar-se em um conflito daquela natureza.
A origem de Lucca, segundo alguns registros são de cerca de 220 a.C. Passou por domínio etrusco e posteriormente romano. Atualmente conta com 80.000 habitantes, mas seu centro histório é pequeno e, por conta disso, preserva pouca quantidade de habitantes e nos vende uma idéia de ser pequena e provinciana.
A arquitetura de Lucca encontra-se em bom estado de conservação. Um dos símbolos que melhor evidencia isso é a própria muralha do centro histórico. Em vistas aéreas vê-se o traço bem evidente dela e, de perto, impressiona pela sua robustez e grandiosidade.
O Duomo di San Martino é outro exemplo; uma construção que começou no século 11, a data não é exata, pois a catedral passou por várias “reformas”. As portas principais têm entalhes do século 13, de Nicola Pisano e Guidetto da Como.
Dentro do Duomo encontra-se o Volto Santo (Rosto Sagrado), um crucifixo de cedro que seria semelhante ao Cristo, esculpido por Nicodemo, testemunha da Crucificação. Na verdade, trata-se de de uma provável cópia do século 13 de um original do século 8. Uma espalhafatosa capela octogonal foi feita (1482-84) por Matteo Civitali para protegê-lo, chamada Il Tempietto.
A grande obra desta catedral é o Túmulo de Ilaria del Carretto, que fica na sacristia. A obra foi realizada pelo escultor sienense Jacopo della Quercia em 1410. Ilaria foi mulher de Paolo Guinigi e morreu muito nova, durante o parto. O sarcófago mostra a jovem dormindo. Aos seus pés, encontra-se um cachorrinho, que é símbolo da fidelidade conjulgal.
Para conhecer o interior dessa catedral só é preciso pagar se você quiser ter acesso a sacristia. Com esse bilhete você pode visitar também o Museo della Cattedrale, na Piazza Antelminelli.
Uma visita imperdível é a medieval Torre Guinigi. A torre tem 44 metros de altura. Subir seus 230 degraus levam aproximadamente 5 minutos (quando fomos o valor era 3,50€ por pessoa). Foi construída pela família Guinigi como forma de ostentar o poder que tinham.

Das quarto torres construídas no século XV, esta é a única remanescente.
Do seu topo uma vista privilegiada de toda Lucca e dos seus telhados típicos.
No topo da torre uma particularidade a mais para se admirar: um jardim com oliveiras centenárias e carvalho decoram-na fantasticamente.
Imperdível, a Piazza dell’Anfiteatro. Foi construída durante os séculos I e II, sobre as fundações de um anfiteatro romano, daí seu formato oval.
Podiam acomodar mais de 10.000 espectadores. Ela foi coberta com mármore e decorado com colunas, mas foi abandonada durante as invasões bárbaras. Em 1830, Lorenzo Nottolini reestruturou junto a edifícios erguido aleatoriamente no local do antigo anfiteatro dando a praça o plano que tem hoje.
Nottolini construiu edifícios de diferentes alturas e abriu uma rua de acesso. A única parte original do anfiteatro é o arco da esquerda através do qual você pode entrar na praça. Os outros arcos foram erguidos nos últimos séculos.
Poucas igrejas são tão imponentes à primeira vista quanto San Michele in Foro (na Piazza San Michele), erguido no lugar de um antigo fórum romano, o primeiro centro da vida pública nos tempos antigos e, em seguida, o coração pulsante da cidade comum.
Sua estupenda fachada combina camadas de mármore listrado, característico das construções românico-pisanas. O interior é mais simples, principalmente porque todos os recursos foram gastos do lado de fora.
Lucca surpreende também pelo cuidado com as artes. O número de museus é considerável em se comparado com seu porte.
Um recente reforço para esse repertório artístico é a Casa Natale di Giacomo Puccini, onde ele nasceu em 1858 e hoje funciona como museu, uma bela construção do século 15, que teve suas obras de restauração concluídas em setembro de 2011.
Dicas e Informações

Forno A Vapore Amedeo Giusti - Um templo da panificação. Ótima pausa para um lanche (Via Santa Lucia 18/20)
Comer na Itália é sempre uma boa pedida; na Toscana então, o prazer vai ao ápice e a acolhedora Lucca tem muito a oferecer. A cozinha lucchese explora bem os ingredientes locais, harmonizando-os com o vinho e o azeite local.
La Goccia d’Olio (FIQUEI SABENDO QUE FECHOU PESSOAL) Loja de azeites especiais de toda a Itália Via San Frediano, 30 Lucca Tel:+39 0583.91.664 É uma loja incrível, o dono é muito agradável e te convida a saborear uma seleção dos melhores azeites da Itália. Há também cosméticos naturais feitos com azeite. Vale à pena uma visita. Forno a Vapore Amedeo Giusti Via Santa Lucia 18/20 Lucca Tel:+39 0583.49.6285 Passeando ao longo da Torre Guinigi (aquele com oliveiras no topo), você provavelmente vai sentir um cheirinho irresistível. Não resista, é a famosa focaccia, a idéia Lucchese de um lanche.
No centro histórico, de ruas estreitas e aconchegantes, bares e restaurantes contribuem para o deleite de turistas e também para os nativos, que se encontram informalmente.
Mas se você curte tipicidade, há também aqueles lugares que merecem uma atenção especial. Buca Sant’Antonio, de 1782, um restaurante onde a culinária local é muito bem preservada. Prova disso é o fato dele ser registrado pela Accademia Italiana Della Cucina e pela O.R.P.I.; entidades que, com critérios imparciais e acadêmicos se dedicam em supervisionar, avaliar e acompanhar o desempenho de restaurantes que mantenham no “coração” a verdadeira e autêntica tradição da cozinha italiana.
Anualmente essa entidade publica um livro com 3 mil restaurantes em toda Itália. Buca Sant’Antonio é o representante de Lucca, com pratos típicos, massas sempre frescas, feitas à mão diariamente, vinhos grand cru, local e toda atmosfera intimista que pode-se esperar. Dica: às quintas-feiras o prato da casa é o gnocchi freschi ao molho de sugo.
Buca di Sant’Antonio (uma velha glória da cozinha lucchese). Na entrada da cidade, perto do parque de estacionamento. Para deixar o carro nos estacionamentos próximos ao restaurante pare perto da Porta de S. Anna Via della Cervia, 3 Lucca Tel:+39 0583.55.881 Fecha domingo no jantar e segunda
Lucca reserva uma incrível agenda de eventos culturais durante todo ano. Festivais de música, de teatro, vinho, azeite, chocolate, flores, feiras de rua entre tantas outras manifestações que envolvem o turista mas que, sobretudo, faz perpetuar o senso de convivência, de alegria e compartilhamento com a população local.
O site da cidade expõe a agenda de eventos de acordo com as estação do ano.
Comentários
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Bia
Parabéns pelo post! Completissimo! Lucca é realmente um comune que vale a visita. Além de
tudo tem muitos pratos típicos interessantes como coloquei no meu post http://www.comerecocaresocomecar.com.br/2011/10/lucca-italia.html?m=0
Abraços
Dani Bispo
Obrigada Dani. Já li o seu post e como todos, deu água na boca!
. Mais uma dica para os viajantes que gostam de bons detalhes e boa gastronomia.
Vou colocá-lo em cima
Beijo grande
Muito bom post, Bia!
Me deu saudades de lá… pena que fez tanto frio nos dias que estive agora em Firenze que nao tive coragem de passear nos arredores, mas Lucca seria minha opcao nr. 1!
Que bom que gostou do post Carina!
Agora você terá que voltar à Toscana para visitar Lucca, que missão difícil né?
A cidade é linda.
Um beijo
Bia
Muito bacana seu post, fiquei com vontade de conhecer Lucca.
Nunca visitei a Itália, mas gostaria. Não sinto muita atração pelas cidades grandes, mas as pequenas me encantam.
[]‘s
Camila a Itália é nossa paixão e essas piccolo cidades são realmente “encantadas” e especiais.
Beijo grande
Bia
Vou lá te visitar
Show de bola seu post! Cidadezinha bem bacana né!?
Tão perto de Pisa, dá pra fazer as duas cidades no mesmo dia.
Sim Guilherme. Adoro Lucca, gosto tanto que acho que vale um dia todo dedicado à ela, quando se tem tempo né?
Você sabe que Pisa não me “ganhou”. Quem sabe em uma próxima ida.
Abraços e obrigada pela visita.
Bia
Ah, você também é de BH
Bia e Euzébio, o post de vocês me ajudou muito. Fiz um agradecimento à ajuda generosa dos blogueiros lá no meu blog . Passa lá! http://deunstempospraca.blogspot.com.br/2012/03/pedindo-ajuda-aos-univers-ops.html
Ah, olha que pena: o La Goccia d’Olio fechou…
Fico muito feliz em saber que o post foi útil Carmem. Obrigada pelo carinho. =D
Que pena que a La Goccia d’Olio, era uma linda e variada loja de azeites, especializada em azeites italianos, um loucura.
Obrigada por nos avisar.
Beijo grande
Bia
Adorei a dica ! Estou indo para a Itália agora, no domingo, eu e meu marido ainda nao temos um plano definido. Lucca é uma boa pedida !!! Obrigada por dividirem essas dicas preciosas !
Estou a procura de meus descendentes em Lucca.Obigado.
Meus ancestrais vioeram desta regiao.A familia Versiani